BB vê agronegócio forte em 2026 e aponta cinco empresas que podem se beneficiar, veja quais são e por quê

O agronegócio brasileiro volta a ganhar destaque nas projeções para 2026, com o Banco do Brasil e sua divisão de investimentos — o BB Investimentos — destacando um cenário robusto, apesar de desafios no mercado global de commodities e volatilidade em alguns segmentos.

Miguel da Rocha

1/21/20265 min ler

BB vê agronegócio forte em 2026 e aponta cinco empresas que podem se beneficiar, veja quais são e por quê

O agronegócio brasileiro volta a ganhar destaque nas projeções para 2026, com o Banco do Brasil e sua divisão de investimentos — o BB Investimentos — destacando um cenário robusto, apesar de desafios no mercado global de commodities e volatilidade em alguns segmentos.

Esse otimismo não é à toa: o setor segue como um dos maiores motores da economia do país, responsável por boa parte das exportações e pela geração de empregos em áreas rurais e nas cadeias de produção e logística. Ao mesmo tempo, instituições financeiras, incluindo o BB, continuam a monitorar indicadores como preços de grãos, demanda internacional por carnes e o impacto de políticas externas nos mercados doméstico e global.

A seguir, entenda o que está por trás dessa perspectiva positiva — e confira cinco empresas que o relatório do BB Investimentos considera bem posicionadas para se beneficiar desse cenário em 2026.

Por que o agronegócio está no radar em 2026?

Mesmo com desafios pontuais na economia global, o agronegócio brasileiro tem alguns fatores favoráveis que sustentam expectativas positivas:

📌 1. Demanda global por alimentos continua firme

A população mundial segue crescendo, especialmente em mercados emergentes, o que mantém uma pressão estrutural de alta demanda por alimentos e proteínas. Isso beneficia países exportadores como o Brasil.

📌 2. Crédito rural ainda tem papel estratégico

O Banco do Brasil segue como um dos principais financiadores do setor no país, liberando recursos que permitem aos produtores investir em tecnologia, mecanização, infraestrutura e expansão da produção.

3. Empresas consolidadas conseguem atravessar momentos difíceis

O relatório do BB Investimentos aponta que companhias com forte estrutura de custos, diversificação de receitas e boa posição competitiva tendem a se destacar mesmo quando há pressão sobre preços de commodities ou desafios regulatórios.

O panorama do agro pelo olhar do BB Investimentos

No relatório setorial de janeiro sobre Agronegócio, Alimentos e Bebidas, o BB Investimentos atualizou sua visão sobre o setor e apresentou recomendações de compra para cinco ações que, segundo a instituição, exibem uma relação interessante entre risco e retorno no momento atual.

O relatório leva em conta indicadores como estrutura de custos, posição no mercado e capacidade de adaptação a ciclos mais voláteis — especialmente em commodities como grãos e proteínas animais.

5 empresas que o BB Investimentos indica para 2026

🔹 3tentos (TTEN3)

A 3tentos é um nome forte no agronegócio brasileiro, atuando em diversas frentes da cadeia produtiva: varejo de insumos agrícolas, originação de grãos, trading e industrialização.

Segundo o relatório, a empresa se destaca por:

  • Estrutura de negócios diversificada

  • Capacidade de operar em diferentes ciclos econômicos

  • Potencial de geração de caixa com margens competitivas

Esses fatores fazem com que seus papéis sejam vistos com atração pela equipe de análise.

🔹 Minerva Foods (BEEF3)

A Minerva Foods é uma das maiores exportadoras de proteína bovina do Brasil, com presença relevante em mercados internacionais.

O BB Investimentos vê potencial de valorização nas ações da empresa, especialmente porque:

  • A empresa possui uma base sólida de operações

  • Tem exportação como principal vetor de crescimento

  • Os contratos internacionais ajudam a estabilizar receitas

Mesmo com volatilidade nos preços da carne, a escala da Minerva a coloca em posição vantajosa para aproveitar a demanda global por proteínas.

🔹 JBS (JBSS32)

Um dos gigantes globais do setor de carnes, a JBS é conhecida por sua operação integrada em diversas proteínas — bovina, suína e de aves.

Segundo o BB Investimentos, a JBS se beneficia de:

  • Diversificação geográfica

  • Forte presença em mercados internacionais

  • Capacidade de adaptação a diferentes ciclos de preço e demanda

Apesar de pressões nos preços em certos mercados, a escala da JBS e sua gestão global fazem dela uma das favoritas em ações ligadas ao agro em 2026.

🔹 Marfrig (MBRF3)

Assim como a JBS, a Marfrig atua intensamente no segmento global de proteínas, especialmente carne bovina.

O relatório destaca a empresa como aposta interessante por:

  • Sua presença em múltiplos mercados ao redor do mundo

  • Estratégias de custo e eficiência operacional

  • Potencial de crescimento em volume e receita

Esse posicionamento ajuda a empresa a atravessar ciclos de preço e a manter relevância frente à concorrência.

🔹 M. Dias Branco (MDIA3)

Embora não esteja diretamente ligada à produção agrícola, a M. Dias Branco atua no segmento de alimentos industrializados, com forte presença em biscoitos, massas e outros produtos que usam commodities agrícolas como insumo.

O BB Investimentos recomenda a ação por causa de:

  • Sua capacidade de repassar custos em ambientes inflacionários

  • Marca forte no mercado brasileiro

  • Diversificação de produtos

O setor de alimentos processados costuma se beneficiar quando há estabilidade na cadeia de suprimentos e crescimento de consumo doméstico — cenário que pode continuar em 2026.

Uma menção especial: Ourofino Saúde Animal

Embora não esteja entre as cinco ações com recomendação de compra no relatório, a Ourofino Saúde Animal (OFSA3) chamou atenção por seu potencial de valorização teórico elevado.

O relatório indica que, com base em projeções de preço-alvo, o papel pode apresentar um upside significativo, mas recebe recomendação neutra por conta da liquidez mais baixa no mercado — fator que pode limitar operações maiores sem impacto no preço.

E o agro, afinal, está realmente forte?

A resposta curta é: sim — mas com nuances.

O BB Investimentos aponta que o agronegócio entra em 2026 com fundamentos mistos. Enquanto algumas commodities como milho e proteínas ainda mostram certa volatilidade de preços e influências externas — como tarifas ou restrições comerciais em mercados como a China — outras áreas apresentam estabilidade ou crescimento.

Além disso, a combinação de crédito rural disponível, necessidade de investimentos em tecnologia e infraestrutura e a demanda contínua por alimentos cria um ambiente onde empresas com vantagens competitivas claras podem se destacar ao longo do ano.

Conclusão: oportunidades com olho no longo prazo

O agronegócio continua sendo um dos setores mais relevantes da economia brasileira — e as perspectivas para 2026, apesar de complexas, trazem oportunidades reais para quem sabe identificar empresas com fundamentos sólidos e capacidade de navegar por ambientes macroeconômicos desafiadores.

Com recomendações focadas tanto em produtores de commodities quanto em empresas de alimentos e proteínas, o relatório do BB Investimentos mostra que há espaço para valorização no setor — especialmente para investidores que buscam oportunidades em uma combinação de estabilidade estrutural e potencial de crescimento.